O amor é um dogma no qual acredito
Partilhar o pão sagrado
é como o bálsamo para as feridas
a coragem que livra
ou o gesto doce que apazigua o poder inútil.
Vínculos requerem sacrifícios
largar-se do referencial do umbigo
esquecer-se dos espelhos
mas é o melhor pão que já comemos.
Histórias ou alegorias
livros sagrados e profanos
o eu e o tu me interessam
agrada-me a comunhão.
Do micro ao macrocosmos
a sincronia
ainda me espanto com galáxias
num universo pulsante e Vivo
e o encontro banalizado
entre o espermatozóide e o óvulo.
E não me importo muito com Decartes
não que eu não o valorize.
Pois há tantos raciocínios importantes e úteis.
Na matéria há lógicas tão perfeitas
não podem ser aleatórias, mas criadas.
Inacabada e incoerente
minha natureza é intuitiva
gosto do inefável.
O amor não é
o manjar invisível mais gostoso ?
Entristecem-me os poetas
que se esqueceram do amor.
O amor é um dogma
no qual acredito
e faço ritos para lembrar.


Esse vai direto para o meu “Favoritos”, sem frescura e demagogia. Gostei muito!