Minha alma é bailarina
meu corpo dança
posso tocar as nuvens
é sonho
é real

Minha alma é bailarina
meu corpo dança
posso tocar as nuvens
é sonho
é real
Se há alguma beleza neste tempo
é a beleza da alegria fugidia
que não quer permanecer
apenas resvala em mim
não parece sério
apenas
ilusão feita pra esquecer
bobagens, tolices,
mas retorno e sinto um pesar
de uma verdade que não se estabelece.
E é triste esquecer onde há vida.
Partilhar o pão sagrado
é como o bálsamo para as feridas
a coragem que livra
ou o gesto doce que apazigua o poder inútil.
Vínculos requerem sacrifícios
largar-se do referencial do umbigo
esquecer-se dos espelhos
mas é o melhor pão que já comemos.
Histórias ou alegorias
livros sagrados e profanos
o eu e o tu me interessam
agrada-me a comunhão.
Do micro ao macrocosmos
a sincronia
ainda me espanto com galáxias
num universo pulsante e Vivo
e o encontro banalizado
entre o espermatozóide e o óvulo.
E não me importo muito com Decartes
não que eu não o valorize.
Pois há tantos raciocínios importantes e úteis.
Na matéria há lógicas tão perfeitas
não podem ser aleatórias, mas criadas.
Inacabada e incoerente
minha natureza é intuitiva
gosto do inefável.
O amor não é
o manjar invisível mais gostoso ?
Entristecem-me os poetas
que se esqueceram do amor.
O amor é um dogma
no qual acredito
e faço ritos para lembrar.
Além do arame farpado
em neblina branca e espessa,
verde lume transpassado,
uma dádiva frágil e branca
surge ínfima entre as árvores.
Flor rasteira e selvagem
leves pétalas de pluma
se anuncia em santuário,
capim fresco orvalhado,
em sua mais alva brancura.
Meu íntimo em sombra
observa esta candura
que me toma de passagem,
sou árvore densa e escura
extenuada em intempéries.
Velho silêncio desgastado
num conforto inquieto
quer e não quer agitar-se.
Folhas de vidas próprias,
e sob a luz não se contam,
soltas, balançam no espaço.
Não me venham com apologias
nem me façam uma poesia
de Tereza de Calcutá.
E se foi peito demais
ou de menos
agora vão a luta
e se precisarem de ajuda
lembrem, sou sua amiga.
(Enfim, somos de carne e osso)
sejam fortes meus amores
nem tudo na vida é alegria
mas corram atrás dela
é lá onde mora a vida.
E nunca, nunca
deixem de sonhar.
Se eu pudesse
viajar pelo espaço
sob os mares
voar na atmosfera terrestre
o sol seria apenas
pequena bola de fogo
que sumiria
eu nem o veria das vimanas
noutras galáxias.
Busco a saída do labirinto
e tenho fardo que me basta
e nem me transformei em cisne.
Já passei por campos de narcisos
enfrentei dragões imaginários
engoli cobras e lagartos
me distraí com mágicos.
Já é tarde,
não vou mais
me perder de mim.
Não serei cápsula colorida
em cartela descartável
êxtase fugaz
anfetaminas.
Quero afetos que circulam
livremente
almíscares
amores com ares de imãs.
Se me entrego toda
não quero do amor só uma lasca.
Eu luto
o meu amor é agudo
mas não sei falar latim.
Quero laço
pronto e resoluto
espero um prazer vivíssimo
minhas notas
são em tom fortíssimo
nada de cores pálidas.
Basta.
comentários